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quinta-feira, 4 de março de 2010

TE DESEJO

só de te olhar
te desejo
mais forte que eu
coisa
que vem
e incendeia
meu corpo
que faz arder
queimar
só de te olhar
te quero
toda nua
na cama de lençois
brancos
gemendo
e me falando besteiras
só de te ver
te desejo
com as ancas livres
com os seios
nus
e a pele arrepiada
e a boca
sedenta
e as coxas molhadas
te desejo
um pouco mais
para sempre
se der
ou por um momento apenas
que importa
te desejo
quando te vejo
assim
bela
passar por mim

ARDIDA

posso
ser doce demais
e ardida
posso
ser calma
e a pior das tempestades
sonhos
e pesadelos
amor
e ódio
posso ser
o bem e o mal também
posso
ser o melhor
e o pior
vento
brisa
furacão
o que mais gosto
e o que mais odeio
ser santa
ser casta
ser puta
posso ser tudo
e não ser nada
ser luz
e sombra
fogo
e água
ardida
ou suave
mulher
ou demônio

EXAGERO

exagero
em tudo o que faço
e em tudo
o que sinto
não sei
ser diferente
do que sou
não sei mentir
o que sinto
nem dizer
o que não sinto
exagero
das horas de felicidade
onde
me liberto
de tudo
das culpas
do passado
do erros
e das lanças
lançadas em minha direção
exagero
na ânsia
de acertar
e quase sempre erro
não sei
ser diferente
do que sou
um pouco de tudo
intempestivo
introspectivo
vivo
às vezes quase morto
exagero
em tudo
por sou assim
humano

BRINCAR

não posso mais
brincar
às vezes esqueço
que cresci
que não sou mais
criança
e que olhos
me olham
o tempo todo
e me cobram
o tempo inteiro
não posso mais
brincar
agora o tempo
corre contra mim
não sou mais criança
de tardes livres
de pensamentos que vagavam
sem direção
hoje
só me resta arrastar
as correntes
que colocaram
em meus pés
não sou mais criança
e dedos
sempre
apontam agora
minhas culpas

QUERO

quero ainda
e por muito tempo
me encontrar
em ti
em tuas emoções
nas razões
quase sempre
perdidas
quero ainda
e sempre
poder chorar
em seus braços
e abraços e encontrar
em ti
as certezas
que me faltam
quero em ti
perder
o medo
e de novo e sempre
e ainda
voltar a sorrir
porque já não sei nada
do que há
sem tuas palavras
sem a dose gostosa
de vida
nas suas manhãs
quero
cada vez e sempre
me achar
no teu amor

terça-feira, 2 de março de 2010

DUAS

sou duas
aquela que existe
e aquela que finge
existir
aquela que se mascara
e aquela
que deixa
a cara a tapa
lisa
sou duas em uma
aquela
que ama
e aquela que finge
amar
apenas
para sentir o prazer
no outro
sou duas
aquele que é de verdade
sangue
alma e coração
e aquela de mentira
que não diz nada
do que sente
que mente
para fazer com que as coisas
aconteçam
sou duas
aquela que é razão
que não enrola
aquela que rasga versos
e poesias
e aquela
que escreve versos
em noites sem lua
sou duas
aquela que vive
e aquela que sonha

MACHUCA

porque me machuca
porque insisti
em fazer de mim
teus degraus
porque tenta
sempre ferir
minha alma
só te quero bem
só sei te querer bem
porque então
dilacera
meu sentimentos
brinca com meus sentidos
destroi minhas emoções
porque
se só sei te querer
só me dar
cada vez mais e inteira
porque me machuca
porque me fere
com seu olhar frio
e sentimentos mortos
não me quer
e não me deixa
quando quer
me chama
e me usa
e me machuca
porque

NADA SEI

eu que pensei
que sabia
tudo
nada sei
nada conheço
eu que pensei
que conhecia
todas as pedras
e sorrisos
eu que pensei
saber
quais eram os perfumes
mais perigosos
eu que pensei
saber por onde caminhava
e para onde levavam
os caminhos
e os meus passos
nada sei
nada conheço
nem os caminhos
nem meus passos
nem os perfumes
nada sei
nada conheço
do mundo
e de mim
nada sei das flores
e nem dos jardins
nada sei das pessoas
que me cercam
e dos sorrisos
que saem
das bocas quase sempre fechada
cada dia mais
nada sei

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

QUANTO TEMPO

quanto tempo
fechado
sem vida
sem ar
sem respirar
sem novas e tantas razões
quanto tempo
com o sorriso
guardado
com o rosto
sempre fechado
quanto tempo
sem ver o sol
quanto tempo
de olhos fechados
sem querer ver a vida
que acontecia
e tantas vezes a vida
bateu em minha porta
quanto
tempo morto
terrivelmente morto
quanto tempo

SOFREDOR

poderia eu
sofredor que sou
fingidor que sou
estar diante do mar
quando eu quiser
.
poderia eu
o mais infame
dos poetas
amar além do amor
que existe em mim
e eu amo
e poderia sim
amar mais
se não fosse esse medo
que ficou
ainda do amor
que não passou
.
poderia eu
dizer que não sinto
mentiria
de vez a dor
que sinto
e já não sinto mais